Novos negócios, investimentos e pesquisa com visitantes mostram como o destino vem transformando turismo em desenvolvimento
O turismo em Araruna, no Curimataú paraibano, vive um momento que já pode ser percebido para além dos seus atrativos naturais. Durante o encerramento do Festival de Inverno das Serras (FIS), realizado de (27) a (30) de agosto, a cidade registrou ocupação entre 90% e 100% nos meios de hospedagem, ampliou a participação de empreendedores e aproveitou a presença dos visitantes para fazer algo fundamental para quem pretende crescer como destino: ouvir turistas, moradores e empresários para planejar os próximos passos.
Foi um dos aspectos que mais me chamou a atenção durante a cobertura da última etapa do FIS 2026. Araruna estava movimentada, com pousadas, restaurantes, bistrôs e cafés recebendo visitantes e empreendedores e artesãos comercializando seus produtos. Mas, enquanto tudo isso acontecia, uma pesquisa estava sendo realizada para descobrir quem estava na cidade, o que essas pessoas encontraram e como avaliaram a experiência.
Pode parecer apenas mais uma ação dentro de um grande evento. Não é.
Turismo em Araruna também é planejado com dados
Cerca de 200 pessoas foram ouvidas durante o Festival. E a pesquisa não ficou restrita aos turistas.
Moradores, empreendedores e artesãos também participaram do levantamento, permitindo enxergar a atividade a partir de três perspectivas diferentes. Na edição anterior, aproximadamente 120 pessoas haviam sido entrevistadas.
A intenção é identificar o que avançou, onde estão os gargalos, quais expectativas foram atendidas e o que ainda precisa melhorar.
“Queremos ver a visão dessas três pessoas para entender onde estão os gargalos, o que avançou, o que precisa melhorar e quais são as possíveis falhas”, explicou Ricardo Câmara, secretário de Turismo de Araruna e presidente do Fórum de Turismo do Curimataú.
As respostas vão ajudar a orientar as próximas decisões e já entram no planejamento da edição de 2027 do Festival, que começa a ser pensado ainda este ano.
Saber quem visita Araruna, de onde vem, o que procura e como avalia sua experiência permite direcionar melhor investimentos, produtos turísticos, serviços e a própria promoção do município.
Porque mais importante do que simplesmente contar quantas pessoas chegaram é entender quem chegou, por que veio e o que encontrou.
Mais empreendedores entram no circuito do turismo
Outro movimento percebido durante a segunda edição do FIS foi o crescimento da participação dos empreendedores.
Segundo Ricardo Câmara, aumentou a procura de pessoas interessadas em participar do Festival para expor, comercializar e negociar seus produtos.
Nos meios de hospedagem, a ocupação ficou entre 90% e 100%, com presença expressiva de visitantes da Paraíba e também do vizinho Rio Grande do Norte.
A estrutura para receber esse público vem crescendo.
Araruna já reúne mais de 30 meios de hospedagem e uma oferta estimada entre 700 e 750 leitos. A gastronomia acompanha esse movimento, com mais de 70 estabelecimentos ligados à alimentação fora do lar e novas propostas surgindo na cidade.
E isso muda a relação do visitante com o destino.
Quem chega atraído pela natureza ou por um evento precisa encontrar onde dormir, comer, comprar, passear e viver outras experiências. Quanto maior e mais qualificada for essa oferta, maiores são as possibilidades de permanência e de o dinheiro trazido pelo turismo circular dentro do próprio município.
É nessa cadeia que surgem oportunidades para empresários, trabalhadores, fornecedores e novos investidores.
Araruna começa a ir além da Pedra da Boca
O Parque Estadual da Pedra da Boca continua sendo a grande referência turística do município e um dos principais cartões-postais do Curimataú paraibano. Araruna também se destaca pela Trilha de Longo Curso Caminhos das Ararunas, pioneira na Paraíba e no Nordeste ao integrar a Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade (RedeTrilhas), ampliando as possibilidades para quem busca experiências de caminhada, natureza e aventura no destino.
Mas Araruna começa a mostrar que pode oferecer muito mais.
Gastronomia, cultura, eventos, religiosidade, natureza e aventura vêm ampliando as possibilidades de experiências e ajudando a movimentar diferentes setores da economia.
O calendário turístico também cumpre um papel importante nesse processo. Eventos realizados em diferentes períodos do ano ajudam a distribuir o fluxo de visitantes e permitem que empresários se preparem com antecedência para os momentos de maior movimento.
Para quem pensa em investir, essa previsibilidade faz diferença.
Investimentos acompanham o novo momento do destino
A infraestrutura também começa a acompanhar o crescimento do turismo em Araruna.
No Parque Estadual da Pedra da Boca está em execução um novo complexo administrativo, com investimento superior a R$ 14,3 milhões. O projeto prevê recepção, espaços administrativos, Centro Científico e Cultural, área estruturada para camping, estacionamento para motorhomes, cafeteria e instalações destinadas aos guias.
O Aeródromo José Maranhão também passa por intervenções e estudos relacionados à utilização por aeronaves de pequeno porte.
São investimentos diferentes, mas que apontam para uma mesma direção: preparar Araruna para receber melhor e ampliar as possibilidades de desenvolvimento da atividade turística.
Infraestrutura, porém, sozinha não faz um destino.
Ela precisa caminhar junto com qualificação, bons serviços, empreendedorismo, governança, promoção e conhecimento sobre o comportamento de quem visita o município.
O turista chegou. E o que fica para Araruna?
Talvez essa seja a pergunta mais importante.
Receber muita gente durante quatro dias é positivo. Ter pousadas cheias, restaurantes movimentados e ruas ocupadas também.
Mas o verdadeiro resultado do turismo aparece quando esse movimento estimula alguém a abrir um negócio, leva um empresário a investir, aumenta a procura por trabalhadores, fortalece quem já empreende e cria novas fontes de renda para a população.
Por isso, a pesquisa realizada durante o Festival de Inverno das Serras merece atenção.
Araruna não quer apenas saber quantos turistas recebeu.
Quer entender quem são essas pessoas, o que procuram, como avaliaram o destino e o que pode fazê-las voltar.
É uma diferença importante.
Porque receber turistas pode movimentar um fim de semana.
Saber o que fazer depois que eles chegam pode mudar a economia de um destino.
Alessandra Lontra


