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Turismo

Paraíba abre novos caminhos para o turismo no interior

Roteiro Caminhos do Brejo Vivo em Alagoinha integra o turismo no interior da Paraíba
Roteiro Caminhos do Brejo Vivo valoriza cultura, tradições e experiências locais em Alagoinha, no Brejo paraibano - Foto: Ale Lontra

Parceria entre Governo do Estado e Sebrae-PB chega aos 223 municípios, estrutura mais de 50 roteiros e ajuda a transformar atrativos, saberes e pequenos negócios em experiências turísticas

O turismo no interior da Paraíba está ganhando novos endereços. Desde 2025, uma parceria entre o Governo do Estado e o Sebrae-PB leva ações aos 223 municípios paraibanos para estruturar destinos, qualificar empreendedores e colocar novas experiências no mercado. Mais de 50 roteiros já foram criados nas 14 regiões turísticas, abrindo espaço para que lugares ainda pouco conhecidos transformem natureza, cultura, gastronomia e modos de vida em oportunidades de negócios, trabalho e renda.

É uma mudança que vai além de colocar novos pontos no mapa.

Para um município se tornar destino, não basta ter uma cachoeira, uma serra, um engenho, uma igreja centenária ou uma boa história. É preciso saber receber, ter onde ficar, onde comer, o que fazer e o que comprar. E, principalmente, fazer com que quem vive ali participe dessa economia.

É nos bastidores desse processo que aparece boa parte do trabalho realizado pelo Sebrae-PB.

Antes do turista, vem o território

A construção começa com quem conhece o lugar todos os dias.

Nos municípios, o Sebrae-PB atua na capacitação dos Conselhos Municipais de Turismo (COMTUR), aproximando poder público, iniciativa privada e sociedade civil para discutir vocações, prioridades e os caminhos que cada território pretende seguir.

Na outra ponta estão os empreendedores. Cursos e consultorias trabalham questões que interferem diretamente na experiência de quem chega, como Segurança Alimentar, Atendimento ao Cliente, Precificação, Melhoria da Imagem dos Negócios Turísticos, formação de Condutores Locais de Turismo e práticas ESG.

Os Seminários de Boas Práticas do Turismo também percorrem municípios paraibanos, promovendo a troca de experiências e mostrando que muitas soluções podem nascer dentro dos próprios territórios.

Para Regina Amorim, gestora de Turismo e Economia Criativa do Sebrae-PB, o ponto de partida é olhar para quem vive nesses lugares.

“Quando chegamos a um município, não olhamos apenas para o que o turista pode visitar. Olhamos para as pessoas, para os pequenos negócios, para a cultura, os saberes e aquilo que torna aquele lugar diferente de qualquer outro. O nosso trabalho é ajudar a transformar esse potencial em experiência, mercado e oportunidade para quem vive no território”, afirma.

Um lugar bonito ainda não é um produto turístico

Existe uma distância entre possuir um atrativo e conseguir transformá-lo em algo que o turista possa, de fato, viver e comprar.

É nesse caminho que entram planejamento, organização, qualificação e comercialização.

Entre as ações estão os Planejamentos Estratégicos das Instâncias de Governança Regional (IGRs) do Cariri, Curimataú e Brejo, além do Planejamento Estratégico do Turismo Rural da Paraíba.

As agências de receptivo também fazem parte dessa construção. A consultoria estratégica direcionada à Rede de Agências de Turismo Receptivo da Paraíba aproxima quem comercializa de quem está criando novas experiências.

Porque um roteiro pode ser bonito, criativo e bem estruturado, mas precisa chegar às agências e operadoras, virar pacote e estar disponível para compra.

Um roteiro que ninguém consegue comprar continua sendo apenas um roteiro no papel.

Do interior para o mercado

Estruturar é uma etapa. Fazer chegar ao mercado é outra.

RURALTUR, FEMTUR, ABAV Expo e BTM estão entre as vitrines utilizadas para apresentar destinos e experiências paraibanas. Nas rodadas de negócios, pequenos empreendedores têm a oportunidade de conversar diretamente com agentes, operadores e compradores.

É também uma forma de ampliar o turismo pelo interior da Paraíba, fazendo com que produtos criados longe dos destinos tradicionais encontrem canais de comercialização.

Algumas experiências já atravessaram as fronteiras brasileiras. A Rota Encantos do Rio Paraíba e a Rota Terra dos Potiguara integram o Feel Brasil, da Embratur, ampliando a presença de experiências paraibanas na promoção internacional do país.

O interior deixa, aos poucos, de ser apresentado apenas como um lugar com potencial e começa a ocupar espaço como produto turístico disponível no mercado.

Para chegar à natureza, é preciso chegar com segurança

O mesmo cuidado vale para o turismo de natureza e aventura.

Trilhas e atrativos naturais precisam de muito mais do que belas imagens nas redes sociais. O monitoramento e a sinalização com base nas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) buscam tornar a visitação mais organizada e segura.

A Pedra da Turmalina, em Brejo do Cruz, e a Pedra do Altar, em Barra de Santana, estão entre os exemplos desse trabalho.

Divulgar vem depois. Primeiro é preciso saber se o visitante consegue chegar, percorrer o caminho e voltar com segurança.

Quando o turismo cresce, os negócios respondem

O avanço do turismo pelo interior da Paraíba já começa a aparecer também na iniciativa privada.

Entre 2025 e 2026, meios de hospedagem foram implantados, ampliados, formalizados ou retomaram suas atividades em diferentes pontos do interior.

Há iniciativas em Cabaceiras, Areia, Matinhas, Bananeiras, Alagoa Nova, Picuí, Pedra Lavrada, Frei Martinho, Salgadinho, Patos, São Mamede, Maturéia, Dona Inês e Serra da Raiz.

Em Serra da Raiz, por exemplo, aparecem Casa de Campo Alto da Serra, Pousada dos Pássaros/Chalés Mirante da Serra, Pousada dos Ventos e Pousada Espaço Copaoba. Esta última, embora já existisse, retomou suas atividades em agosto de 2025, depois do desenvolvimento dos roteiros turísticos no território.

E uma pousada nova nunca é apenas uma pousada nova.

Ela compra alimentos, contrata mão de obra e serviços, recebe fornecedores e cria demanda para restaurantes, transporte, artesanato, comércio, guias e condutores. O hóspede que dorme ali também toma café, almoça, passeia, compra e conhece outros negócios.

É quando o dinheiro gasto pelo visitante começa a circular no município.

Aquilo que sempre esteve ali passa a ter outro valor

O café torrado no sítio. O doce feito artesanalmente. A cachaça que sai do engenho. O trabalho do artesão. Uma receita de família. A música de um grupo tradicional. O conhecimento de quem percorre uma trilha desde criança.

Nada disso nasceu para o turismo. E talvez esteja justamente aí o seu maior valor.

Quando esses saberes entram em uma experiência sem perder sua identidade, artesãos, agricultores, produtores de alimentos e bebidas, artistas, grupos culturais, guias, condutores e outros pequenos empreendedores também encontram espaço nessa cadeia.

O visitante leva uma peça, experimenta um sabor, escuta uma história ou participa de uma atividade. Mas o que fica é tão importante quanto o que ele leva: renda circulando no território e novas possibilidades para quem mora nele.

Turismo não se faz só com divulgação

O turismo pelo interior da Paraíba mostra, na prática, que desenvolvimento turístico não se faz apenas com divulgação.

É preciso planejamento, qualificação, governança, infraestrutura, empreendedorismo, segurança, promoção e acesso ao mercado. Não adianta promover um lugar que ainda não está preparado para receber, assim como pouco adianta criar uma boa experiência se ela não consegue chegar a quem pode comprá-la.

Quando essas peças se encaixam, o turismo deixa de ser apenas uma atividade de lazer. Passa a movimentar pequenos negócios, estimular investimentos, valorizar a produção local e criar trabalho e renda.

Os sinais já aparecem: novos roteiros, novos negócios, novos meios de hospedagem, empreendedores se formalizando, experiências chegando às agências e produtos paraibanos alcançando mercados nacionais e internacionais.

Mas existe uma transformação que não cabe apenas em números.

É quando alguém que sempre fez um doce percebe que pode receber visitantes. Quando um artesão encontra um novo mercado para aquilo que produz. Quando quem conhece cada curva de uma trilha passa a conduzir outras pessoas por aquele caminho. Quando uma pousada abre ou volta a abrir as portas porque agora existe gente querendo permanecer naquela cidade.

É aí que o turismo deixa de ser apenas promessa e começa a fazer diferença na vida de quem mora no destino.

A Paraíba está mostrando ao Brasil e ao mundo que seus grandes atrativos não terminam onde acaba o litoral.

Há uma Paraíba inteira para descobrir. E um interior cada vez mais preparado não apenas para receber e encantar, mas para transformar a chegada do visitante em oportunidade para quem vive ali.

Alessandra Lontra                                   * Com informações Sebrae – PB

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