Integrantes do Menanehaliti concluem ciclo de capacitações para aperfeiçoar três roteiros de vivências turístico-culturais em Tangará da Serra
Contar a própria história, mostrar as aldeias pelo olhar de quem vive nelas e receber visitantes com mais preparo. Indígenas de cinco comunidades de Tangará da Serra, em Mato Grosso (MT), concluíram um ciclo de capacitações que abre novos caminhos para o turismo indígena e amplia as possibilidades de renda a partir de atividades conduzidas pelos próprios moradores.
Entre abril e junho, integrantes do Menanehaliti participaram de cursos de produção de conteúdo digital, planejamento de cardápio rural, inclusão digital, comunicação e oratória e artesanato em tecidos. As formações dão continuidade a um trabalho que já estruturou três roteiros de vivências turístico-culturais.
A iniciativa reúne as aldeias Katyalarekwa, Serra Dourada, Oreke, Arara Azul e 2 Cachoeira. Juntas, elas avançam em uma etapa importante para quem decidiu receber visitantes sem abrir mão do protagonismo sobre a forma de apresentar sua cultura.
Na prática, cada curso atende a uma necessidade dos roteiros. Com a produção de conteúdo e a inclusão digital, os participantes ganham ferramentas para divulgar as vivências, organizar informações e alcançar novos públicos. A comunicação e a oratória ajudam na recepção dos grupos e na condução das atividades.
Na gastronomia, o planejamento de cardápio rural voltou o olhar para as refeições oferecidas durante as visitas. Ingredientes locais e modos de preparo podem revelar muito sobre um povo. Quando a comida faz parte da experiência, o que chega à mesa também conta histórias.
O artesanato em tecidos abre outra possibilidade. As peças produzidas nas aldeias podem chegar às mãos dos visitantes carregando referências de quem as criou e, ao mesmo tempo, gerar receita para as famílias.
Cinco aldeias e três roteiros
O Menanehaliti nasceu da iniciativa das próprias comunidades. Com apoio técnico e financeiro, foram estruturados três roteiros que convidam o visitante a conhecer aspectos da vida, da cultura e dos conhecimentos presentes nas aldeias.
O projeto contou com a participação do Governo de Mato Grosso, por meio da SEDEC e da SEADTUR, da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, da Prefeitura de Tangará da Serra, através da SECULTUR, e da Ícone Consultoria em Turismo.
Nesta nova etapa, as ações buscam aperfeiçoar o que já foi construído e dar mais visibilidade aos roteiros. O trabalho recebe recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, por meio do Governo de Mato Grosso e da SECEL-MT, através do Edital nº 017/2024 MT Criativo.
O ciclo de capacitações foi promovido pelo SENAR e pelo Governo de Mato Grosso, com apoio da Prefeitura de Tangará da Serra, do Sindicato Rural, da Associação Indígena Comunitária Arara Azul e da SECEL-MT.
Mais do que aprender a produzir conteúdo, planejar um cardápio ou falar diante de um grupo, os participantes se preparam para assumir cada vez mais etapas da atividade turística.
Esse é um dos princípios do turismo de base comunitária. Quem vive no lugar participa das decisões, conduz as experiências e escolhe o que deseja compartilhar. No Menanehaliti, os visitantes chegam para conhecer as aldeias, mas são os indígenas que mostram os caminhos.
Alessandra Lontra


