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Do cafezal à xícara Areia ganha seis marcas de cafés especiais

Trabalhador seleciona frutos maduros em cafezal representando a produção de cafés especiais de Areia.
A produção de cafés especiais ganha espaço nas propriedades rurais de Areia e já deu origem a seis marcas de associados da Atura - Imagem ilustrativa

Parceria entre a Atura e a UFPB levou o cultivo às propriedades rurais e agora inspira um novo projeto com uvas viníferas

O café de Areia começa a ganhar um novo lugar entre os produtos que o visitante encontra no município. Conhecida pela cachaça, pelas flores, pelo mel e pela gastronomia, a cidade já tem seis marcas de cafés especiais produzidas por associados da Associação de Turismo Rural e Cultural de Areia (Atura). Os cafezais também começam a fazer parte da experiência de quem visita a zona rural.

A mudança aconteceu em pouco tempo. Em 2023, uma parceria entre a Atura e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), por meio do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Extensão em Cafeicultura (NECAF), ajudou a levar o cultivo do café arábica dos campos experimentais da universidade para os sítios e engenhos do município.

A Atura financiou a produção das primeiras mudas, distribuídas entre os associados interessados no plantio. Três anos depois, o resultado pode ser visto nas lavouras, nas embalagens que chegaram ao mercado e nas novas possibilidades que surgem para aproximar o visitante de todo o caminho percorrido pelo grão.

“O projeto deu o start para a cafeicultura fora do ambiente acadêmico e levou o café para os pequenos produtores e para as comunidades onde o turismo está presente”, afirma o presidente da Atura, Leonaldo Alves de Andrade.

A relação com o turismo estava na origem da iniciativa. A ideia não era apenas estimular uma nova cultura agrícola, mas criar um produto capaz de gerar renda e, ao mesmo tempo, fazer parte da visita às propriedades.

“Hoje já temos vários produtores de cafés especiais em Areia oferecendo esse produto ao turista. É um projeto sustentável porque gera trabalho, renda e encantamento, além de permitir que o produtor rural produza em sua propriedade um produto nobre e muito desejado”, destaca Leonaldo.

Por trás das seis marcas há histórias muito diferentes. Uma delas começou com apenas seis mudas. Outra vendeu toda a safra. Um lote produzido no município alcançou 86,5 pontos na escala internacional da Specialty Coffee Association (SCA). E já há produtor preparando um espaço onde o visitante poderá acompanhar a torra, a moagem e preparar o próprio café.

No Várzea do Coaty, Maísa Melo faz a colheita manual e seletiva, escolhendo apenas os frutos maduros, no estágio cereja. Depois, os grãos passam por 22 dias de secagem em terreiro suspenso.

“Nós respeitamos o tempo das plantas, colhendo os frutos um a um em seu ápice de maturação”, explica Maísa.

A propriedade cultiva cinco variedades de arábica: Catuaí Amarelo, Catuaí Vermelho, Mundo Novo e Arara. Um lote da variedade Arara (resultado do cruzamento natural entre o Obatã e o Catuaí Amarelo) alcançou 86,5 pontos na escala da SCA, resultado que o coloca entre os cafés especiais de qualidade superior.

Para Arleidy Alves, tudo começou com 200 mudas em 2023. No ano seguinte, vieram mais 100. A primeira colheita aconteceu no final de 2025 e o Café Tá na Roça foi lançado em maio de 2026, durante o congresso do NECAF.

“Toda a produção deste ano já foi vendida”, comemora.

O café é da variedade Catucaí 24/137, da espécie arábica. A propriedade também recebe pessoas interessadas em conhecer o cafezal.

No Turmalina da Serra, Jurandir Miranda cultiva dois hectares, sendo um deles já em produção. O próximo passo é criar uma vivência em torno da bebida.

“Estamos finalizando um espaço onde o cliente poderá acompanhar a torra, a moagem e preparar seu café na hora”, conta.

O cultivo é orgânico e a colheita, manual. Segundo Jurandir, a bebida apresenta notas de chocolate, baunilha, caramelo e florais.

A família Baracho também entrou nesse novo capítulo da cafeicultura de Areia. Produzido no Engenho Triunfo, o Café Sinergia nasceu com a proposta de retomar uma cultura que já fez parte da história do Brejo paraibano.

“Mais que um café especial, o Sinergia é o resultado do trabalho e do sonho de uma família. Cada xícara carrega dedicação, afeto e a certeza de que grandes conquistas nascem quando todos trabalham em sintonia”, afirma a empresária Maria Júlia Baracho.

A marca é vendida na Lojinha do Parque Engenho Triunfo e na recepção do Hotel Fazenda Triunfo.

No Engenho Tapuio, o Café Dona Nininha, de Márcia Gondim, passou a dividir espaço com outras atividades ligadas à agricultura, às flores e ao turismo rural. O plantio começou em maio de 2023. A primeira colheita veio em agosto de 2025 e a marca foi lançada em abril deste ano.

“Nossa produção nasceu do Projeto de Resgate da Cafeicultura desenvolvido pela UFPB, com apoio da Atura, Sebrae e parceiros comprometidos com a agricultura familiar”, explica Márcia.

A primeira produção foi rapidamente comercializada.

A história do Café da Lêda começou de um jeito bem diferente. Lêda Maria recebeu seis mudas de presente de um professor mineiro. Em março de 2023, decidiu ampliar o plantio por meio do projeto da Atura com a UFPB. Hoje, cuida de 1.500 pés.

“Tudo começou com seis mudas e se transformou em um grande sonho”, conta.

O café foi apresentado pela primeira vez durante o lançamento do livro Momentos Meus, escrito pela própria Lêda. Literatura e café dividiram a mesma noite em uma degustação que marcou a estreia da marca. Agora, ela amplia a produção e planeja receber visitantes para conhecer de perto o cultivo.

Em apenas três anos, o café de Areia ganhou seis marcas produzidas por associados da Atura: Várzea do Coaty, Tá na Roça, Turmalina da Serra, Sinergia, Dona Nininha e Café da Lêda. Cada uma chegou ao mercado por um caminho diferente.

E é justamente o caminho percorrido pelo café de Areia que inspira a próxima aposta da Atura.

A associação já realizou visitas técnicas a propriedades que cultivam uvas viníferas e quer aproximar essa experiência dos produtores do município.

“Esperamos que, assim como aconteceu com o café, os produtores abracem essa ideia. Queremos que Areia tenha não apenas a cachaça, mas também o mel, o café e, em breve, o vinho como produtos associados ao turismo”, afirma Leonaldo.

No caso das uvas, o projeto ainda está no começo. Não há produção de vinho para anunciar nem parreirais consolidados como atração turística. Por enquanto, há visitas técnicas realizadas e o interesse de conhecer um novo cultivo.

Com o café também foi assim. Em 2023, eram mudas chegando às propriedades. Hoje, seis marcas produzidas por associados da Atura já levam o nome de Areia nas embalagens, e algumas dessas histórias começam a ser conhecidas no próprio lugar onde o café nasce.

Alessandra Lontra

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