por Regina Amorim
Transformar a realidade de um território exige esforço para superar desafios, pesquisa para ampliar conhecimentos, humildade para entender que não se sabe tudo e que é preciso aprender. Não há mudança sem desejo de transformação. A economia criativa é uma estratégia fundamental para transformar vidas em territórios onde a criatividade popular se manifesta de forma colaborativa e favorece as ações coletivas de pessoas e comunidades organizadas em rede. Ela permite o surgimento de modelos econômicos mais sustentáveis e inclusivos, que geram impactos sociais e culturais.
Sebrae tem dedicado atenção significativa à economia criativa nos programas de desenvolvimento territorial e nos projetos de turismo, priorizando a requalificação de experiências criativas e gerando diferencial competitivo, que fortalece os resultados dos negócios, nos territórios.
A economia criativa no desenvolvimento territorial contribui para a geração de valor simbólico, apropriando-se da diversidade cultural, da inclusão social, da sustentabilidade e da inovação. Ela dialoga com a dimensão territorial, com a sustentabilidade e com as demandas do novo perfil do turista, que busca o diferente, o criativo e a essência cultural do lugar. Sebrae por todo o Brasil tem dado uma contribuição da mais alta relevância para o avanço da economia criativa nos destinos turísticos.
A cultura é a base da economia criativa, como exemplo perfeito de singularidade, seja como bem material ou imaterial. É a experiência viva de cada território, que precisa ser valorizada pelos gestores públicos e privados e principalmente pela comunidade.
Não devemos permitir que os cenários para o consumo de roteiros turísticos sejam transfigurados, pela desigualdade, invisibilidade e exclusão, mas que tenham o domínio da cultura e a sua diversidade cultural. O turismo de base comunitária tem muito a nos ensinar, sobre a preservação ambiental e cultural, as moedas de troca, a governança e a colaboração para as ações coletivas nas diversas comunidades – de pescadores, quilombolas, indígenas, apicultores e outras. É uma alternativa de organização singular que enriquece a experiência do turista com serviços diferenciados, além de promover a melhoria da qualidade de vida das comunidades locais.
Trago o exemplo da comunidade de pescadores do Povoado Bar da Hora, em Barreirinhas – MA, situada na faixa de proteção que envolve o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. O passeio de lancha voadeira pelo Rio Preguiças até o Povoado Bar da Hora é uma experiência encantadora, passando por cenários deslumbrantes e preservados.
A comunidade proporciona aos visitantes a possibilidade de explorar atrações diversas, incluindo caiaque e pesca tradicional, além de vivenciar um estilo de vida natural. O povoado pratica o turismo responsável, oferecendo experiências autênticas e sustentáveis, respeito ao meio ambiente e à cultura local. Esse modelo garante que os benefícios econômicos sejam distribuídos entre os moradores, promovendo a participação ativa da comunidade em todas as etapas do turismo e fortalecendo o protagonismo local. Estão entre as prioridades da Associação dos Moradores e Pescadores do Povoado Bar da Hora, o reflorestamento de mangues, para a proteção dos ecossistemas costeiros e o uso de biodigestores que transformam resíduos orgânicos em biogás e adubo. O turismo de base comunitária é um modelo de desenvolvimento turístico orientado pelos princípios do associativismo, valorização da cultura e do protagonismo local.
Outro exemplo é a comunidade quilombola da Liberdade, em São Luís MA, o maior quilombo urbano do Brasil e um dos maiores da América Latina. É palco de manifestações culturais e religiosas de origem afro, como terreiros, clubes de reggae, tambores de crioula, cacuriá e o Bumba Meu Boi, que é uma das manifestações culturais do Maranhão, responsável por mobilizar a economia e o turismo do estado.
Aprendi que a cultura é um ativo estratégico para o desenvolvimento, que dá visibilidade às forças criativas dos territórios e às práticas sociais e culturais locais. Nessa abordagem, cultura e criatividade serão os principais insumos do desenvolvimento no século 21.
Regina Medeiros Amorim
Mestre em Visão Territorial e Sustentável do Desenvolvimento,
Pós-graduada em Gestão e Marketing do Turismo,
Gestora de Turismo e Economia Criativa do SEBRAE – Paraíba