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Morre Zé de Cila, figura icônica de Cabaceiras, fez o dublê do padre João no “Auto da Compadecida”

Eu e Seu Zé de Cila, numa brincadeira de eu me confessar para o padre - Foto: Ale Lontra

No Dia do Cinema Brasileiro, Cabaceiras perde Zé de Cila, ator e figura icônica da cidade, conhecido por  fazer o dublê do padre João, no filme, “Auto da Compadecida”

José Nunes Neves, conhecido popularmente como Zé de Cila, faleceu hoje, aos 76 anos de insuficiência cardíaca e renal, no Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande (PB), onde estava internado desde o dia (14) de junho.

Zé de Cila, esse personagem internacionalmente conhecido como ele próprio dizia, nasceu e se criou em Cabaceiras, município do Cariri paraibano. Ele era uma figura icônica da cidade da Roliúde Nordestina, famosa por ser um celeiro de grandes produções cinematográficas. Zé de Cila tem uma trajetória no cinema, onde fez algumas “pontas” em filmes como “Cinema, Aspirinas e Urubus” e “Canta Maria”, mas foi o filme “Auto da Compadecida” (do grande poeta e dramaturgo paraibano, Ariano Suassuna), que lhe trouxe notoriedade ao fazer o dublê do padre João, interpretado pelo ator Rogério Cardoso.

Na sua Bodega situada em frente a Praça principal da cidade ele vendia um pouco de tudo: bebidas, calçados, acessórios de vestuário e também de cozinha. A Bodega se tornou um ponto turístico da cidade, onde ele além de vender seus produtos, contava seus causos.

Frequentemente Zé de Cila era abordado por turistas em sua loja para tirar fotos, e ele sempre atendia a todos com muito humor e com um sorriso no rosto.

Para aqueles turistas desavisados, que por acaso não o reconheciam, ele dizia: “Guenta mão que eu já volto”, e entrava num quartinho, voltando apenas depois de vestir a batina do seu personagem do “Auto da Compadecida”, o Padre João e logo iniciava a conversa: “eu fui o dublê do padre”, relembrando sua participação no filme. Dali para frente ele trazia as revistas e jornais do mundo todo, onde ele tinha sido destaque e os causos não paravam.

 

Um fato curiosos que seu Seu Zé de Cila contava aos risos, era sobre o apelido que lhe fora dado de “encantador de viúvas”, pelo fato dele sempre acabar se relacionando com uma mulher viúva.

O dublê do padre João, Zé de Cila contava com muito orgulho que já havia sido citado até numa questão da prova do Enem de 2021.  Na pergunta do exame, ele é comparado com Chicó, um dos protagonistas do “Auto da Compadecida”, obra gravada na cidade, justamente pela semelhança no comportamento dos dois.

Seu Zé de Cila também já foi notícia da National Geographic e suas histórias inusitadas chegaram até o programa de TV da Globo, o Fantástico. Sua última aparição foi com o ator e comediante Paulo Vieira, no novo programa no GNT, “Avisa lá que eu vou”.

E para quem achava que as histórias de seu Zé de Cila eram fantasiosas demais para serem verdade, ele logo dizia: “não minto e nem gosto de quem mente”.

É, Seu Zé de Cila vai deixar muitas saudades, ele era a cara da Roliúde Nordestina! Mas, com toda certeza, ele ficará eternizado na memória daqueles que o conheceram. Agora seu Zé de Cila vai deixar de contar seus causos para se tornar um dos maiores causos de Cabaceiras, o dia que ele partiu!

Vá em paz, Seu Zé de Cila!

Alessandra Lontra

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